Moradores do Guamá vivem rotina de medo
Após chacina, boa parte das escolas estão sem aulas no Guamá (Foto: Fernando Araújo)
Um dos
bairros mais populosos de Belém está em silêncio. Desde a última
terça-feira, quando o cabo da Polícia Militar Antônio Marcos da Silva
Figueiredo, 43, foi morto a tiros, os moradores do bairro do Guamá estão
receosos com a situação de terror que se instalou no local. A resposta à
morte do PM foi a sequência de dez mortes em seis bairros diferentes,
entre eles o Guamá.
Os cadeados nos portões das escolas
estaduais do bairro, em horário de aula, demonstravam que a rotina
daqueles estudantes foi modificada. Duas escolas na rua Liberato de
Castro estavam de portas fechadas,- a Escola Frei Daniel e a Celina
Anglada-, e somente funcionários foram vistos nelas para explicar que
“as aulas tinham sido suspensas pela Seduc”.
Pela fresta do portão da Escola Alexandre
Zacharias de Assumpção, o porteiro, que não quis se identificar,
explicou os motivos dos cadeados nos portões. “As mães dos alunos
ficaram com medo dos boatos que se espalharam na internet e vieram
buscar os filhos na escola, ainda na quarta-feira e na quinta, a direção
da escola ligou para a Seduc para que as aulas fossem suspensas
formalmente”, informou.
Do outro lado da rua Liberato de Castro,
apenas uma escola do município, a Padre Leão, ainda tentava voltar à sua
rotina natural, sem sucesso. Uma menina, de 13 anos, que estuda nessa
escola disse que na própria casa as pessoas passaram a ficar mais tempo
em casa, por conta do medo de sair. “A partir do meio-dia, todo mundo já
está em casa. De noite, ninguém fica mais na rua”, disse.
Na Escola Barão de Igarapé Mirim, mesmo sem
aulas, jovens que não pertencem ao quadro de estudantes da escola
brincavam na quadra de esportes. O porteiro, que não quis se
identificar, afirmou que as aulas foram suspensas por determinação da
Seduc, pela morte do PM e pelas provas do Enem. “Essa escola será
preparada para o Enem”, informou.
Moradores do Guamá dizem que no bairro
impera a lei do silêncio. “Se em tempos normais, a gente não fala nada
com medo de depois o que foi dito se tornar contra nós, imagina depois
de uma chacina dessas. Andamos de cabeça baixa”, disse um morador que
preferiu o anonimato. O DIÁRIO contactou com a Polícia Militar e a
Seduc, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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